Duas mil famílias preparam-se para resistir

O fantasma de um confronto com a polícia ronda a vida das famílias do Acampamento Carlos Lamarca, em Osasco. No dia 3 de agosto, uma guerra campal foi anunciada. Mais de 400 policiais militares, 150 da Tropa de Choque, amanheceram na entrada do acampamento para cumprir uma ordem de reintegração de terra. Os sem-teto não se amedrontaram. Montaram barricadas e se prepararam para defender com a própria vida a conquista de um direito básico de todo cidadão: ter um lugar para morar. 

O confronto não se confirmou somente porque os advogados que apóiam o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) conseguiram adiar a ação policial por alguns dias. Mas as horas correm contra os acampados. Vamos pressionar o poder público a intervir em favor dos excluídos. Clique aqui e envie e-mails para o prefeito de Osasco, Celso Gigglio (PSDB), e para o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Terra era cemitério

Ossos enterrados, carcaças, placas de veículos. Um terreno baldio que servia de cemitério e desmanche. Essa era a realidade da área em 26 de julho, quando os sem-teto fizeram a ocupação. Na madrugada daquele dia, trezentas famílias entraram no terreno, cortaram o mato, retiraram o lixo e construíram barracos de lona preta. 

Os sem-teto pretendem construir ali o assentamento rururbano. Planejam dividir o terreno em lotes e deixar uma área para a agricultura de subsistência. Querem reservar também um espaço para a convivência social, com escola, farmácia e galpão para atividades culturais.

Mas a Juíza Analísia Soares, da 3ª Vara Civil de Osasco, no dia 2 de agosto, autorizou a polícia a expulsar os acampados e concedeu liminar de reintegração de posse favorável à empresa Grama Comércio e Agroindústria. A Justiça ignorou que o terreno não cumpria sua função social, servia apenas para especulação imobiliária e era local para assassinatos e esconderijos de peças de carros.

Os advogados que apóiam o movimento conseguiram barrar por pouco tempo a ação da polícia. Mas só com a pressão popular as famílias podem resistir no local e brotar, num antigo cemitério, a esperança de um pouco de cidadania.