Três mil famílias correm o risco de despejo em São Bernardo

A liminar de reintegração de posse foi suspensa, 
porém provisoriamente. A Volkswagen entrou com 
recurso contra a decisão. As mais de três mil 
famílias do acampamento Santo Dias, em São 
Bernardo do Campo, ainda podem ser despejadas 
caso a Justiça volte atrás e decida em favor da 
transnacional. Por isso, a campanha na Internet 
continua sendo fundamental (veja sugestão de carta). 
A Justiça havia determinado, no dia 22 de julho, que 
a polícia militar realizasse o despejo abandonado. 
O governador do Estado, Geraldo Alckmin, anunciou, 
por meio da imprensa, que não está disposto a 
negociar. O governador NÃO possui nenhum 
programa habitacional para famílias desempregadas 
e de baixa renda que habitam em moradias desumanas.

O terreno, ocupado em 19 de julho, estava abandonado. A função social da terra, estabelecida pela Constituição de 1988, não estava sendo cumprida. A empresa alemã Volkswagen, que possui o título de propriedade da área, deveria construir ali um projeto de geração de renda e emprego. Em vez disso, para piorar a situação dos trabalhadores, a empresa anunciou recentemente o corte de 4 mil funcionários.

As famílias pretendem fazer valer o seu direito de moradia, garantido pela Constituição de 1988 e pela Carta de Direitos Humanos das Organizações das Nações Unidas (ONU). O movimento conta com o apoio de sindicatos da região, centrais sindicais, entidades nacionais e internacionais de direitos humanos, movimentos estudantis e outras entidades da sociedade civil organizada. Reivindicamos que o poder público abra negociações e discuta com a sociedade uma política habitacional que atenda os interesses da população desempregada e sem moradia. Queremos que o poder público determine que a área seja destinada a um projeto de moradia, por meio de um DECRETO DE UTILIDADE PÚBLICA. Queremos TETO e TRABALHO!