Caos urbano

 

    A partir da crise do capitalismo na agricultura, os trabalhadores rurais foram expulsos para os grandes centros urbanos. No processo inicial da industrialização, os bairros de periferia caracterizavam-se em um conjunto de casas que funcionavam quase como alojamentos das indústrias. E a sua população se constituía em um exército de mão-de-obra que alimentava a reprodução do capital e do lucro dos grandes empresários. No Estado de São Paulo, 95% da população mora nas cidades e apenas 5% resiste no campo.

    

    As cidades-satélites possuem uma importância expressiva para a economia industrial e para a arrecadação de impostos. Porém sua geografia é quase inteiramente favelizada (exemplo: Guarulhos, Diadema e Belém). Contudo, após a crise do capitalismo urbano, milhares de pessoas foram excluídas do acesso ao trabalho, gerando a ocupação desordenada do solo urbano. Junto com a falta de um planejamento coerente com as demandas sociais estão outros problemas como a degradação ambiental e a própria degradação do ser humano. Para piorar o Estado não tem cumprido seu papel negligenciando a prestação de serviços públicos como água e esgoto e não garantindo o direito à moradia digna.

 

    A dimensão das necessidades habitacionais atinge diretamente as pessoas que não têm nenhum lugar para morar e se estende às pessoas que possuem um casebre sem condições de moradia. A cidade de São Paulo nunca teve um planejamento sério de distribuição de seus territórios e projetos habitacionais que atendessem às necessidades da população. A crise na indústria, nos pequenos comércios, nas microempresas, na construção civil, a especulação imobiliária acabou empurrando as pessoas para áreas de risco, periferias, mananciais, cortiços e favelas. O resultado é o atual aglomerado de seres humanos sem perspectivas que se vê nas cidades.

Falta de moradia: De acordo com o IBGE, entre todas as moradias construídas no Brasil, 18.6 milhões não possuem infra-estrutura básica (pela falta de água, esgoto, luz elétrica, coleta de lixo etc.). Projetando uma estimativa de 4 pessoas por família, temos 74,4 milhões de sem-teto em nosso país, ou quase a metade da população brasileira.

Falta de serviços públicos e sociais: Aqui se inclui a precariedade dos serviços públicos de saúde, saneamento e abastecimento, coleta de lixo, segurança pública, ensino, transporte e previdência. Além da degradação ambiental (é em meio as moradias pobres que se concentram o lixo industrial, rios poluídos) e da degradação social, uma vez que nesse ambiente não há como preservar as ligações com a natureza, a terra e as tradições populares.

Por outro lado, a grande quantidade de moradias e terrenos urbanos vazios – que há 10 anos já era de 10% de toda a estrutura da cidade – demonstra uma ociosidade que poderia suprir parte da demanda populacional. É impossível compreender trabalhadores desempregados dormindo nas calçadas em frente à grandes prédios vazios. A função social da propriedade está na Constituição Federal de 1988, prevendo inclusive a desapropriação de terrenos urbanos de interesse social. Acreditamos na importância da parceria entre o poder público e o movimento social para organizar a população em torno de seus direitos.